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POEMAS DE
ANTÓNIO JOSÉ C. MINEIRO

 

 

SEM TÍTULO...

 

Fazer amor contigo, caído em êxtase
É blasonar dum amor; a cor do céu
É como poesia alegre, vive-se
É encontrar guarita na tempestade, p’ra amor meu.

Quando desolado me julguei, betesga
Nesta bizarra, projecto de cidade; encontrei
Verde asilo, paz grotesca
Com sonhos de ouro, que só eu sei.

Nunca foi relógio de sol, efémero
Denunciado, fac-símile fatalismo
Pelas terras do Senhor, galerno
Depurar ou derruir, o abismo.

Procurei na noite, nas sombras da Lua
Uma resposta, uma alusão á paz
Encontrei a mim e a ti, suada e nua
Amando, num desejo que o amor traz.

E este vago desejo, que me está na mente
Súplica das lágrimas, que não conti
Na insistência deste clemente
Que chora longe de ti.

Que crepúsculo me vai no espírito
Renascer débil, praguejado; tirito
De medo, de uma ausência, pressentida
Essa oculta presença, mentida!

Perpétuo, falso esquecimento
Do que outrora me fez sofrer
No amor, nas asas do vento
Vaga melodia, me faz escrever.

E era ouvir-te cantar, ilusão
Ágil rumor, beijo do tempo
Ter-te sempre no coração
Nesta serenidade que contemplo.

E é uma mágoa da cor da água
Transparente, frouxa serenidade
E o que é minha saudade,
Uma mágoa da cor da água.

Este é um poema de amor
Da mais arguta inocência, da mais lídima paixão
Sai-me do corpo, áureo coração
E veio como esta aragem de Verão, cheia de calor
E vai para ti meu sonho, fruto do ventre
Doce loucura, vingada na mente
Que importa a lágrima, quando se tem uma flor
Que importa o escuro ou mesmo a dor
Quando se tem no coração, o teu amor.

Cinco da manhã neste meu leito de infelicidade
E não sei que raio hei-de dizer!
Talvez ela diga alguma coisa, a saudade
A saudade que tenho amor, de te ver.
Metódica esta poesia que nos une
Um hífen pelos céus; calor
E nada mais há, que me deslumbre
Do que partilhar contigo, o meu amor.

Haveria tanto para te dizer
Mas este filho do vento, não vislumbra inspiração
Se dependesse do coração
Era só pensar e escrever
Mas torna-se imprescindível criar
Sofrer evidentemente
Decerto não me deixaria voar,
O vento, neste meu pensamento.

O que mais receio
É perder a cor do vento
Que tão endiabrada veio
E que ainda encontrar tento!!

 

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